A casa do meu avô.
Eu tinha um abajur com uma lâmpada azul, que eu sempre apagava antes de dormir, mas quando acordava estava acesa. Mas isso só depois que cresci, quando pequena dormia na cama de casal com minha avó contando histórias pra me fazer dormir. Ela dormia antes das histórias acabarem. E o abajur de luz azul ficava do lado dela da cama. Meu avô dormia no meu quarto, os furos que o cigarro dele faziam nos lençóis de solteiro eu nunca vi nos de casal. Talvez fosse proibido fumar no quarto. A cama do meu quarto foi dada, e compraram uma de ferro. Era bege ou creme, pra combinar com as paredes. Eu ajudei a montar; com os olhos. Preferia a outra, fora da minha tia ou do meu pai…
Às vezes deixava no quarto uma TVzinha de menos de 10”, preto-e-branco. Ela tocava rádio também, mas em seguida me adonei de um mini system, era a fase de carregar meus CDs para todo canto. Algumas coisinhas mudavam, mas a essência era a mesma. Eu só freqüentava aquela casa aos finais de semana (TODOS os finais de semana) e por algumas semanas nas férias. Mas era a minha casa. Lá eu tive meu quarto. Ainda tenho. Mas só até hoje.
Provavelmente daqui a pouco ela vai ser entregue aos novos donos, se já não foi. Mas aquele quarto, vai continuar sendo o meu quarto. Sempre.
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