A casa do meu avô.

Na casa do meu avô eu tinha meu quarto. Primeiro com as paredes de um azul cafona, com chaveiros pendurados na parede, da coleção do meu pai. A cama era de madeira e o quarto descia um degrau do resto da casa. Depois o quarto ficou creme e com aquela tinta eu não podia mais usar a parede como quadro-negro e brincar de professora. Os chaveiros saí­ram há muito, foram perdidos, dados, já não eram importantes. Os gibis da Turma da Mônica sempre guardados, intocáveis (pelo menos até a Laura nascer), na minha pequena e primeira coleção. A TV tinha um seletor giratório. Foi a mais antiga que eu já usei.

Eu tinha um abajur com uma lâmpada azul, que eu sempre apagava antes de dormir, mas quando acordava estava acesa. Mas isso só depois que cresci, quando pequena dormia na cama de casal com minha avó contando histórias pra me fazer dormir. Ela dormia antes das histórias acabarem. E o abajur de luz azul ficava do lado dela da cama. Meu avô dormia no meu quarto, os furos que o cigarro dele faziam nos lençóis de solteiro eu nunca vi nos de casal. Talvez fosse proibido fumar no quarto. A cama do meu quarto foi dada, e compraram uma de ferro. Era bege ou creme, pra combinar com as paredes. Eu ajudei a montar; com os olhos. Preferia a outra, fora da minha tia ou do meu pai…

Às vezes deixava no quarto uma TVzinha de menos de 10”, preto-e-branco. Ela tocava rádio também, mas em seguida me adonei de um mini system, era a fase de carregar meus CDs para todo canto. Algumas coisinhas mudavam, mas a essência era a mesma. Eu só freqüentava aquela casa aos finais de semana (TODOS os finais de semana) e por algumas semanas nas férias. Mas era a minha casa. Lá eu tive meu quarto. Ainda tenho. Mas só até hoje.

Provavelmente daqui a pouco ela vai ser entregue aos novos donos, se já não foi. Mas aquele quarto, vai continuar sendo o meu quarto. Sempre.




Olha que interessante:

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